quinta-feira, 14 de julho de 2011

Ultimatum!

Mandato de despejo aos mandarins do mundo
Fora tu,
 reles
 esnobe
 plebeu
 E fora tu, imperialista das sucatas
 Charlatão da sinceridade
 e tu, da juba socialista, e tu, qualquer outro
 Ultimatum a todos eles
 E a todos que sejam como eles
 Todos!
Monte de tijolos com pretensões a casa
 Inútil luxo, megalomania triunfante
 E tu, Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral
 Que nem te queria descobrir
Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular
 Que confundis tudo
 Vós, anarquistas deveras sinceros
 Socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores
 Para quererem deixar de trabalhar
 Sim, todos vós que representais o mundo
 Homens altos
 Passai por baixo do meu desprezo
 Passai aristocratas de tanga de ouro
 Passai Frouxos
 Passai radicais do pouco
 Quem acredita neles?
 Mandem tudo isso para casa
 Descascar batatas simbólicas
Fechem-me tudo isso a chave
 E deitem a chave fora
 Sufoco de ter só isso a minha volta
 Deixem-me respirar
 Abram todas as janelas
 Abram mais janelas
 Do que todas as janelas que há no mundo
Nenhuma idéia grande
 Nenhuma corrente política
 Que soe a uma idéia grão
 E o mundo quer a inteligência nova
 A sensibilidade nova
O mundo tem sede de que se crie
 Porque aí está apodrecer a vida
 Quando muito é estrume para o futuro
 O que aí está não pode durar
 Porque não é nada
Eu da raça dos navegadores
 Afirmo que não pode durar
 Eu da raça dos descobridores
 Desprezo o que seja menos
 Que descobrir um novo mundo
Proclamo isso bem alto
 Braços erguidos
 Fitando o Atlântico
E saudando abstractamente o infinito."
Álvaro de Campos

2 comentários:

futura ex gordinha disse...

bom dia minha amiga. Que bom saber q vc também é fã de poemas, a poesia critica de Álvaro de Campos nunca é ultrapassado, continua atualíssimo, o poema se não me engano é de 1917 mais reflete muito bem o que aconteçe principalmente com relação á politica que temos hoje, desigualdade em todos os sentidos e nós pobres mortais o que podemos esperar? O jeito é protestar contra tudo q nos fere e nos machuca, extravazar nem q seja gritando que se abram as janelas e portas, estas não literais , mais que o mundo se abra e enxergue seu povo q sufoca diante de tanta injustiça.Te desejo uma ótima sexta-feira, um belissímo fim de semana , muita força Gi e mesmo q de longe te envio um mega abraço,apesar de vc estar me desprezando(tenho sentido sua falta no meu blog) gosto verdadeiramente de ti , beijãooooooooo!!!

Giza disse...

OI,Gi!
Que lindo poema! Adoro!
Um lindo fim de semana!
Fique com DEus!
BJo grande